{"id":1603,"date":"2023-06-11T21:00:00","date_gmt":"2023-06-11T19:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/congresamp2024.world\/?p=1603"},"modified":"2023-07-17T20:00:33","modified_gmt":"2023-07-17T18:00:33","slug":"o-grau-zero-da-loucura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/congresamp2024.world\/pt-br\/o-grau-zero-da-loucura\/","title":{"rendered":"O Grau zero da loucura"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Sobre <em>Todo mundo \u00e9 louco<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Gil Caroz<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O aforismo <em>Todo mundo \u00e9 louco<\/em> n\u00e3o diz respeito a todos os seres da Terra, mas unicamente aos seres falantes que obedecem como podem ao c\u00f3digo da linguagem e que est\u00e3o imersos em um discurso que cria la\u00e7o social. \u00c9 claro que, quando falamos, irrealizamos as coisas, as tornamos inexistentes&nbsp;\u2013&nbsp;esse \u00e9 o sentido da f\u00f3rmula \u00ab&nbsp;a palavra \u00e9 a morte da coisa&nbsp;\u00bb. Mas o que faz daquele que fala um louco consiste precisamente em que falando e tornando assim a coisa inexistente, ele lhe confere um ser. Conhecemos o exemplo de Madame Bovary<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>. Ela n\u00e3o existe e nunca existiu, mas seu ser \u00e9, no entanto, assegurado por uma obra que lhe d\u00e1 corpo. Tomemos um outro exemplo de Russell&nbsp;: dizer que o rei da Fran\u00e7a \u00e9 calvo \u00e9 loucura, porque o rei da Fran\u00e7a n\u00e3o existe<a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>. Al\u00e9m disso, \u00ab&nbsp;conv\u00e9m assinalar que, se um homem que se acredita rei \u00e9 louco, n\u00e3o menos o \u00e9 um rei que se acredita rei<a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a> \u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma defesa contra o real<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O poder da linguagem e dos discursos de tornar as coisas inexistentes faz parte de um vasto dispositivo que chamamos <em>Outro do simb\u00f3lico<\/em>. Esse Outro, conhecido como simb\u00f3lico, n\u00e3o existe realmente. \u00c9 por isso que ele \u00e9 suscet\u00edvel de proteger o sujeito daquilo que \u00e9 insuport\u00e1vel no real. Quando falamos&nbsp;\u2013&nbsp;sendo a coisa nadificada&nbsp;\u2013&nbsp;os significantes se referem apenas a outros significantes, seus referentes permanecem um lugar vazio. Isso significa que, ao final, falamos unicamente da aus\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Quando o objeto <em>a<\/em> preenche o vazio dessa aus\u00eancia, \u00e9 o gozo positivado que emerge, mas ele permanece indiz\u00edvel. Que o lugar do referente permane\u00e7a vazio ou que ele seja obstru\u00eddo pelo objeto <em>a<\/em>, o real \u00e9 em ambos os casos exclu\u00eddo da linguagem. A loucura constitui assim uma defesa universal e estrutural do ser falante contra o real. Ela se apoia no Outro, mesmo se ela se instala diferentemente em cada estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua <em>Cl\u00ednica Ir\u00f4nica<\/em>, Jacques-Alain Miller descreve as diferentes modalidades de defesa que consistem em falar sobre o que n\u00e3o existe. O neur\u00f3tico \u00e9 louco pois faz o Outro existir ao situar o objeto <em>a<\/em> como a consist\u00eancia l\u00f3gica de seu fantasma, mas tamb\u00e9m como objeto perdido que causa seu desejo. O paran\u00f3ico \u00e9 louco porque situa o gozo no Outro e, assim, lhe d\u00e1 consist\u00eancia real. O Outro inexistente passa a ser \u00ab&nbsp;comil\u00e3o do objeto <em>a<\/em><a id=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>\u00bb. Ele se transforma em um Outro que existe, que condensa o gozo e goza do sujeito.<\/p>\n\n\n\n<p>A esquizofrenia \u00e9 a \u00fanica estrutura cl\u00ednica que n\u00e3o responde \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de loucura como defesa contra o real por meio do Outro<a id=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>, porque a dist\u00e2ncia entre o simb\u00f3lico e o real est\u00e1 ausente. Para o esquizofr\u00eanico, a palavra <em>\u00e9<\/em> a coisa, ou o simb\u00f3lico \u00e9 real. Ele n\u00e3o apenas n\u00e3o usa o Outro para se defender do real, mas, por meio de sua ironia, ele ataca o Outro enquanto simb\u00f3lico e enquanto la\u00e7o social sustentado por um discurso. Em consequ\u00eancia, o esquizofr\u00eanico est\u00e1 imerso no real e n\u00e3o se defende dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como a esquizofrenia \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o entre as estruturas cl\u00ednicas, a psican\u00e1lise \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o entre os discursos sobre a loucura, porque a pr\u00e1tica psicanal\u00edtica n\u00e3o \u00e9 uma defesa contra o real. Pelo contr\u00e1rio, ela \u00e9 uma \u00e9tica orientada <em>pelo<\/em> real. Lacan assinala que o discurso anal\u00edtico \u00ab&nbsp;n\u00e3o tem nada de universal&nbsp;\u00bb e \u00ab&nbsp;por isso mesmo&nbsp;\u00bb, acrescenta, \u00ab&nbsp;n\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria de ensino<a id=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\">[6]<\/a>&nbsp;\u00bb. Como universal, o ensino pertence ao discurso universit\u00e1rio, que produz um saber <em>exposto<\/em> que evita o real. A psican\u00e1lise n\u00e3o se ensina, ela se transmite no encontro de um a um, e produz um saber <em>suposto<\/em>, que s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lido para o Um-sozinho<a id=\"_ftnref7\" href=\"#_ftn7\">[7]<\/a>. Quando esse saber \u00e9 levado a cabo, ele implica numa fissura da articula\u00e7\u00e3o S<sub>1<\/sub>\uf0e0S<sub>2<\/sub>, que \u00e9 a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o do saber universal. Os S<sub>1 <\/sub>que s\u00e3o isolados durante essa opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o da ordem de uma nega\u00e7\u00e3o do real. Pelo contr\u00e1rio, eles designam o real do sujeito. Nesse sentido, o discurso anal\u00edtico n\u00e3o \u00e9 nada louco.<\/p>\n\n\n\n<p>O aforismo <em>Todo mundo \u00e9 louco<\/em> comporta uma articula\u00e7\u00e3o forte entre dois termos&nbsp;: por um lado, diz respeito ao ensino e ao saber, e por outro, \u00e0 cl\u00ednica do del\u00edrio. O del\u00edrio responde \u00e0 estrutura do saber. J.-A Miller apresenta o del\u00edrio como um S<sub>2<\/sub> que responde \u00e0 perplexidade produzida pela emerg\u00eancia de um fen\u00f4meno elementar que podemos assimilar a um S<sub>1<\/sub><a id=\"_ftnref8\" href=\"#_ftn8\">[8]<\/a>. Segundo esta concep\u00e7\u00e3o, o fen\u00f4meno elementar teria o valor de um axioma, de um postulado l\u00f3gico, tanto enigm\u00e1tico quanto inexplic\u00e1vel. O del\u00edrio \u00e9 um S<sub>2<\/sub> que vem dar um sentido a esse elemento irredut\u00edvel e fora do sentido quando este surge na vida de um sujeito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Generaliza\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O aforismo que d\u00e1 t\u00edtulo ao nosso congresso est\u00e1 de acordo com a despatologiza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea que substitui o princ\u00edpio cl\u00ednico pelo princ\u00edpio jur\u00eddico e a patologia por estilos de vida<a id=\"_ftnref9\" href=\"#_ftn9\">[9]<\/a>. Entretanto, quando se considera, com base nesse aforismo, cuja contrapartida \u00e9 que <em>todo mundo \u00e9 normal<\/em>, que a doen\u00e7a mental e a psicose n\u00e3o existem mais, nega-se o real. A democratiza\u00e7\u00e3o da cl\u00ednica passa a ser, a partir de ent\u00e3o, uma forma de loucura em si. J.-A. Miller indicou em v\u00e1rias ocasi\u00f5es que os conceitos avan\u00e7ados por Lacan sobre a psicose podem ser generalizados para o ser falante como tal, sem desfazer, entretanto, seu valor cl\u00ednico no contexto do estabelecimento de um diagn\u00f3stico diferencial.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O automatismo mental \u00e9 o Outro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Notemos, de in\u00edcio, uma generaliza\u00e7\u00e3o operada sobre um conceito que emana da psiquiatria e que foi forjado por Cl\u00e9rambault&nbsp;: o automatismo mental. \u00ab&nbsp;Forma inicial de toda psicose&nbsp;\u00bb<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, o automatismo mental \u00e9 uma \u00ab&nbsp;enuncia\u00e7\u00e3o independente<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>\u00bb, um discurso paralelo, aut\u00f4nomo, estrangeiro, que parasita o sujeito e o atravessa. Essa parasitagem n\u00e3o \u00e9 em si uma patologia, como prop\u00f5e J.-A. Miller. \u00c9 a manifesta\u00e7\u00e3o do Outro da linguagem que \u00e9 a carga que cabe ao humano como tal. Essa tese concorda com um enunciado de Lacan que soa como uma rima&nbsp;: \u00ab&nbsp;\u00c9 normal, o automatismo mental!&nbsp;<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>\u00bb O psic\u00f3tico, entretanto, se distingue pelo fato de reconhecer a presen\u00e7a estrangeira deste Outro que fala atrav\u00e9s dele, que fala com ele ocasionalmente e faz intrus\u00e3o. O neur\u00f3tico, contrariamente, ignora o fato de que o Outro fala dentro dele e mant\u00e9m a ilus\u00e3o de que \u00e9 ele quem fala, a menos que reconhe\u00e7a o inconsciente. A generaliza\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno do automatismo mental n\u00e3o nos impede, portanto, de distinguir a psicose da neurose.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Paranoia ordin\u00e1ria<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em outro registro, o do imagin\u00e1rio, J.-A. Miller considera a paranoia a partir da \u00ab&nbsp;rela\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria com o outro&nbsp;<a id=\"_ftnref13\" href=\"#_ftn13\">[13]<\/a>\u00bb, que \u00e9, de fato, da ordem de uma paranoia generalizada. Esta concep\u00e7\u00e3o tem suas ra\u00edzes na rela\u00e7\u00e3o, defendida por Lacan em sua tese, entre personalidade e paranoia. Conhecemos, por exemplo, a dificuldade, que surge ocasionalmente na cl\u00ednica, em diferenciar o eu do paranoico da fortifica\u00e7\u00e3o ao estilo de Vauban<a id=\"_ftnref14\" href=\"#_ftn14\">[14]<\/a> que constitui o eu do obsessivo; porque qualquer que seja a estrutura do sujeito, o eu \u00e9 paranoico. Isto j\u00e1 pode ser lido em Freud quando ele descreve, em <em>A nega\u00e7\u00e3o<\/em><a id=\"_ftnref15\" href=\"#_ftn15\">[15]<\/a>, a constru\u00e7\u00e3o do eu que consiste, diz ele, em localizar o objeto bom no interior do eu e o objeto ruim no exterior&nbsp;\u2013&nbsp;essa localiza\u00e7\u00e3o do gozo ruim no exterior \u00e9 um modo de rela\u00e7\u00e3o paran\u00f3ica com o outro. Observemos ainda que esta concep\u00e7\u00e3o do eu paranoico tem percorrido o ensino de Lacan desde o est\u00e1dio do espelho, onde reina a l\u00f3gica agressiva do \u00ab&nbsp;\u00e9 voc\u00ea ou eu&nbsp;\u00bb. E, se considerarmos que o eu n\u00e3o \u00e9 apenas hostil ao outro, mas que \u00e9 tamb\u00e9m narc\u00edsico, podemos falar da paranoia como normal e correlata a uma megalomania generalizada ou ordin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Observemos que a constitui\u00e7\u00e3o do eu&nbsp;\u2013&nbsp; de acordo com o est\u00e1dio do espelho&nbsp;\u2013&nbsp;ocorre em dois tempos. No primeiro tempo, o do organismo, o corpo \u00e9 fragmentado. No segundo tempo, a imagem unificada do corpo se constr\u00f3i, os \u00f3rg\u00e3os s\u00e3o reunidos e articulados. Encontramos nesses dois tempos do espelho os dois tempos da constru\u00e7\u00e3o de um del\u00edrio, sendo que, no segundo tempo, o eu \u00e9 uma esfera sem falhas que se mostra equivalente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o delirante. Ap\u00f3s o est\u00e1dio do espelho, \u00e9 a partir da imagem de seu corpo unificado que o sujeito forja uma imagem fantasm\u00e1tica do mundo como uma forma esf\u00e9rica e ideal, como o globo que adorna o p\u00f4ster do nosso XIV Congresso da AMP. J.-A. Miller assinala que essa paranoia generalizada como uma rela\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria com o outro contradiz as concep\u00e7\u00f5es de compreens\u00e3o fundamental do outro de acordo com as teorias da intersubjetividade<a id=\"_ftnref16\" href=\"#_ftn16\">[16]<\/a>. Ao inv\u00e9s de ser compreens\u00edvel, o outro \u00e9 fundamentalmente estranho e amea\u00e7ador.<\/p>\n\n\n\n<p><em>A foraclus\u00e3o&nbsp;: uma transfer\u00eancia de dimens\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O del\u00edrio generalizado, como descrito at\u00e9 agora, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria ou simb\u00f3lica. A foraclus\u00e3o, quanto a ela, diferentemente do del\u00edrio, n\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o, mas uma rejei\u00e7\u00e3o de um elemento do registro do simb\u00f3lico que reaparece no real. J.-A. Miller chama essa passagem de um registro para o outro de <em>transfer\u00eancia de dimens\u00e3o<a id=\"_ftnref17\" href=\"#_ftn17\">[17]<\/a><\/em>. Esse fen\u00f4meno atravessa todas as estruturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um significante \u00e9 rejeitado no real quando condensa um excesso indiz\u00edvel de gozo. O caso do \u00ab&nbsp;homem dos miolos frescos&nbsp;\u00bb de Ernest Kris, comentado por Lacan<a id=\"_ftnref18\" href=\"#_ftn18\">[18]<\/a>, mostra claramente como a impossibilidade de o significante suportar a puls\u00e3o produz uma rejei\u00e7\u00e3o no real sob a forma de um acting-out. Trata-se aqui, de fato, de uma foraclus\u00e3o que n\u00e3o se produz em um quadro de psicose, mas na rela\u00e7\u00e3o entre o analista e o analisando. Podemos considerar que a interven\u00e7\u00e3o do analista, que n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a palavra do paciente como uma verdade sobre a puls\u00e3o oral, rejeita essa puls\u00e3o do simb\u00f3lico. Essa puls\u00e3o, ent\u00e3o, reaparece no comportamento do paciente que a coloca em ato. O indiz\u00edvel que n\u00e3o foi ouvido pelo analista retorna no real do lado do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na histeria, igualmente, tal passagem no real pode se manifestar na pantomima do sujeito, isto \u00e9, em sua conduta no mundo. Lembremos da paciente na apresenta\u00e7\u00e3o de doente de Lacan, que ouve o insulto \u00ab&nbsp;porca&nbsp;\u00bb<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a> retornar no real, testemunhando um gozo indiz\u00edvel que a invadiu no momento em que ela encontrou o amigo de sua vizinha no corredor do pr\u00e9dio. Nas mesmas circunst\u00e2ncias, escreve J.-A. Miller, um sujeito hist\u00e9rico n\u00e3o teria ouvido uma voz, mas \u00abn\u00e3o \u00e9 impens\u00e1vel que [isto] retorne no real, por exemplo, sob a forma &#8211; agir como se todos os homens fossem porcos<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a> \u00bb. Na neurose obsessiva, \u00e9 o olhar do pai que pode assumir consist\u00eancia e produzir uma inibi\u00e7\u00e3o extrema. Essa consist\u00eancia real do olhar \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o da obscenidade do supereu que o significante n\u00e3o pode mais conter e que \u00e9 ent\u00e3o rejeitada do simb\u00f3lico e deslocada para o real.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa s\u00e9rie de conceitos relativos \u00e0 psicose, generalizados e atribu\u00eddos ao ser-falante como tal, mostra bem que o aforismo <em>Todo mundo \u00e9 louco <\/em>pode perfeitamente coexistir com o reconhecimento do real da cl\u00ednica. O fato de esses fen\u00f4menos atravessarem as estruturas ps\u00edquicas n\u00e3o conduz necessariamente \u00e0 supress\u00e3o dessas estruturas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Uma foraclus\u00e3o inerente \u00e0 cura<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos \u00e0 quest\u00e3o do ensino. \u00c9 preciso ser louco, diz Lacan, para querer ensinar psican\u00e1lise do modo universit\u00e1rio, como um saber exposto e universal. No entanto, a forma\u00e7\u00e3o do psicanalista est\u00e1 no centro da a\u00e7\u00e3o das Escolas da AMP. Isso significa que, se n\u00e3o h\u00e1 um ensino significativo da psican\u00e1lise, h\u00e1, como vimos, uma poss\u00edvel transmiss\u00e3o de um a um. Mas o saber em jogo nessa transmiss\u00e3o difere do saber que domina, aquele em que o mestre \u00e9 o agente. \u00c9 um saber que produz horror. Lacan observa, ali\u00e1s, que \u00e9 duvidoso que os candidatos \u00e0 an\u00e1lise se engajariam na experi\u00eancia se soubessem com anteced\u00eancia que a destitui\u00e7\u00e3o subjetiva est\u00e1 escrita no bilhete de entrada. Ele continua&nbsp;: \u00ab&nbsp;O simples estabelecer uma interdi\u00e7\u00e3o daquilo que se imp\u00f5e de nosso ser equivale a nos oferecermos a uma reviravolta do destino que \u00e9 maldi\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 recusado no simb\u00f3lico, recordemos o veredito lacaniano, reaparece no real.<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a> \u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, h\u00e1 uma foraclus\u00e3o poss\u00edvel, inerente \u00e0 pr\u00f3pria cura anal\u00edtica, quando se recusa o saber decorrente da destitui\u00e7\u00e3o subjetiva. Essa destitui\u00e7\u00e3o, que se imp\u00f5e ao sujeito em an\u00e1lise, implica que aquilo com que ele se sustenta&nbsp;\u2013&nbsp;seu sofrimento, seu fantasma, suas identifica\u00e7\u00f5es, sua queixa, sua divis\u00e3o e sua suposi\u00e7\u00e3o de saber&nbsp;\u2013&nbsp;n\u00e3o lhe serve mais como recurso. O sujeito s\u00f3 pode ent\u00e3o apoiar-se sobre sua pr\u00f3pria exist\u00eancia posto que ela \u00e9 o \u00fanico ponto de certeza capaz de orientar sua \u00e9tica. Esse reconhecimento da inexist\u00eancia do Outro \u00e9 correlato de uma forma de reconhecimento do real. Ele pode provocar \u00ab&nbsp;o horror, a indigna\u00e7\u00e3o, o p\u00e2nico <a id=\"_ftnref22\" href=\"#_ftn22\">[22]<\/a>\u00bb, mas \u00e9 o grau zero da loucura.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o&nbsp;: Carina Arantes Faria<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Releitura&nbsp;: Maria Sueli Peres<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Miller J.-A., \u00ab&nbsp;O Um \u00e9 letra&nbsp;\u00bb, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00b083, setembro 2021, p.&nbsp;56.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Miller J.-A., \u00ab&nbsp;A psicose no texte de Lacan&nbsp;\u00bb, <em>Curinga<\/em>, n\u00b013, setembro. 1999, p.&nbsp;97.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Lacan J., \u00ab&nbsp;Formula\u00e7\u00f5es sobre a causalidade ps\u00edquica&nbsp;\u00bb, <em>Escritos<\/em>, Rio de Janeiro&nbsp;: Jorge Zahar Ed., 1998, p.&nbsp;171.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn4\" href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Miller J.-A., \u00ab&nbsp;Cl\u00ednica ir\u00f4nica&nbsp;\u00bb, <em>Matemas I<\/em> , Rio de Janeiro&nbsp;: Jorge Zahar Ed., 1996, p.&nbsp;197.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn5\" href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, p.&nbsp;190.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn6\" href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Lacan J., \u00ab&nbsp;Transfer\u00eancia para Saint-Denis&nbsp;? Lacan a favor de Vincennes&nbsp;!&nbsp;\u00bb In&nbsp;: <em>Correio<\/em>&nbsp;\u2013&nbsp;Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, (65). S\u00e3o Paulo&nbsp;: EBP, 2010\/ 1978, p.&nbsp;31.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn7\" href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> Miller J.-A., \u00ab&nbsp;Todo mundo \u00e9 louco&nbsp;\u00bb&nbsp;\u2013&nbsp;AMP 2024, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00b085, dezembro 2022, p.&nbsp;12. Texto de orienta\u00e7\u00e3o do congresso da AMP 2024. H\u00e1 v\u00e1rios pontos que s\u00e3o desenvolvidos aqui.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn8\" href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> Miller J.-A., \u00ab&nbsp;A inven\u00e7\u00e3o do del\u00edrio&nbsp;\u00bb, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana OnLine<\/em>\/antigos\/pdf\/artigos\/JAMDelir.pdf, p.&nbsp;1-25.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn9\" href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> Miller J.-A., \u00ab&nbsp;Todo mundo \u00e9 louco&nbsp;\u00bb, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00b085, op. cit., p.&nbsp;10.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> Miller J.-A., \u00ab&nbsp;Li\u00e7\u00f5es sobre a apresenta\u00e7\u00e3o de doentes&nbsp;\u00bb, Matemas I, Jorge Zahar Ed., 2016, p.&nbsp;144.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> Ibid., p.&nbsp;145.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> Lacan J., \u00ab&nbsp;Em dire\u00e7\u00e3o a um novo significante&nbsp;\u00bb, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00b06, outubro 1993, p.&nbsp;3-5.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> Miller, J.-A. \u00ab&nbsp;La parano\u00efa, rapport primaire \u00e0 l\u2019autre&nbsp;\u00bb, <em>The Lacanian Review<\/em>, n\u00b010, d\u00e9cembre 2020, p.&nbsp;56-90.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> Lacan, J. \u00ab&nbsp;A agressividadem em psican\u00e1lise&nbsp;\u00bb, <em>Escritos<\/em>, <em>op. cit.,<\/em> p.&nbsp;111.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn15\" href=\"#_ftnref15\">[15]<\/a> Freud, S. \u00ab&nbsp;A nega\u00e7\u00e3o&nbsp;\u00bb, <em>Obras completas<\/em>, volume 16&nbsp;: O eu e o id, \u00ab&nbsp;autobiografia&nbsp;\u00bb e outros textos (1923-1925), S\u00e3o Paulo&nbsp;: Compahia das Letras, 2011, p.&nbsp;251-252.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> Miller, J.-A. \u00ab&nbsp;La parano\u00efa, rapport primaire \u00e0 l\u2019autre&nbsp;\u00bb, <em>op. cit<\/em>., p.&nbsp;82.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn17\" href=\"#_ftnref17\"><em>[17]<\/em><\/a> Miller, J.-A. \u00ab&nbsp;Foraclus\u00e3o generalizada&nbsp;\u00bb, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00b084, fevereiro 2022, p.&nbsp;39.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> Lacan J., \u00ab&nbsp;A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios do seu poder&nbsp;\u00bb, <em>Escritos<\/em>, <em>op. cit<\/em>, p.&nbsp;605-607.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> Lacan J., \u00ab&nbsp;De uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose&nbsp;\u00bb, <em>Escritos<\/em>, <em>op. cit.<\/em>, p.&nbsp;540-541.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> Miller, J.-A. \u00ab&nbsp;Foraclus\u00e3o generalizada&nbsp;\u00bb, <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, <em>op. cit<\/em>., p.&nbsp;41.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> Lacan J., \u00ab&nbsp;Proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro de 1967&nbsp;\u00bb, <em>Autros Escritos<\/em>, Rio de Janeiro&nbsp;: Jorge Zahar Ed., 2003, p.&nbsp;257.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> <em>Ibid.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre Todo mundo \u00e9 louco<\/p>\n<p>Gil Caroz<\/p>\n<p>O aforismo Todo mundo \u00e9 louco n\u00e3o diz respeito a todos os seres da Terra, mas unicamente aos seres falantes que obedecem como podem ao c\u00f3digo da linguagem e que est\u00e3o imersos em um discurso que cria la\u00e7o social. \u00c9 claro que, quando falamos, irrealizamos as coisas, as tornamos inexistentes\u00a0\u2013\u00a0esse \u00e9 o sentido da f\u00f3rmula \u00ab\u00a0a palavra \u00e9 a morte da coisa\u00a0\u00bb. 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